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Justiça Social: Guine Bissau e as Estatísticas oficias


Nos últimos 25 anos, o crescimento da fileira da castanha de caju,  a realização de algumas benfeitorias nas infraestruturas económicas e sociais, a desregulamentação atabalhoada da economia, as medidas de facilitação do comércio internacional, as medidas de consolidação orçamental, centra-das na redução do deficit e da divida pública, as assinaturas dos acordos de crédito com o FMI e com o Banco Mundial, decorrentes de uma alegada “boa gestão” das finanças públicas, as forçadas metas de “convergências” resultantes da integração na UEMOA e na CEDEAO, foram confirmados estatisticamente, nos discursos oficiais, como “provas” das capacidades de liderança e da boa governança do PAIGC na luta contra o “subdesenvolvi-mento” e a pobreza.

Todavia, para a maioria dos guineenses, as estatísticas anunciadas nos discursos oficiais, têm uma leitura diferente.

Para o pessoal menor da administração pública e das instituições do estado, os trabalhadores independentes, os trabalhadores por conta de outrem, os agricultores-ponteiros, os camponeses tradicionais, as mulheres “bideiras” e  os jovens à procura do 1º emprego, isto é, para o país sofredor, o facto da Guiné Bissau ocupar, em 2018, o 177º lugar do Índice de Desenvolvimento Humano e pertencer ao grupo dos países menos desenvolvidos do planeta, só tem uma leitura: o sofrimento da pobreza.

Ademais, os guineenses, indignam-se ver a Guiné Bissau, classificada, um  dos países em que a corrupção é mais percetível (https://www. transparency.org/), ou dito de uma forma mais simples, após quase meio século de governação do país, o “subdesenvolvimento” económico, social e cultural agudizou-se concomitantemente com a corrupção endémica na administração pública, e particularmente na liderança do país.

Resumidamente: as diversas etapas, do desenvolvimento socioeconómico do país, sob a administração dos “libertadores”, têm um denominador comum: a castanha de caju substituiu a monocultura da mancarra; a insegurança alimentar predominou em vez da programada autossuficiência; a desflorestação e a predação do património natural exacerbou, em benefício do capital estrangeiro; as despesas com salários, com a segurança social (rendimentos de substituição) e o investimento em capital humano (escola e saúde), foram congelados para diminuir o deficit e pagar a divida pública externa, com prioridade draconiana.

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