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Guine Bissau- o conflito X


Os elementos que influenciam o atual conflito no país são extraordinariamente complexos devido as posições, atitudes e as contradições dos autores envolvidos no impasse.

O PAIGC venceu as eleições legislativas com maioria relativa e teve de assinar acordos de incidência parlamentar com os seguintes partidos APU, PND e UM.

O PAIGC acusa o Presidente e a oposição de instaurar um ambiente de tensão e de perturbação social, mas quando chegou a altura para a formação da mesa da Assembleia Nacional Popular (ANP), o PAIGC optou por escolher políticas, posições e atitudes que alimenta a divisão social ao invés de políticas de unidade nacional na base do consenso.

Os partidos da maioria deviam focar-se em criar condições capaz de garantir a estabilidade política e social, através de reconciliações entre os principais autores do conflito, reconhecendo os direitos da minoria para que seja possível a criação da mesa da ANP.

As características das pessoas da liga do Bem e do Mal

Ora bem, nos olhos da coligação frágil, a nossa sociedade está dividida em 2 partes: as pessoas que pertencem a liga do bem e os que pertencem a liga do mal. Por um lado, as pessoas da liga do bem argumentam que respeitam os princípios e as normas da democracia, respeitam a justiça, e são os mais preparados para desenvolver o país e em contrapartida, as pessoas que alegadamente pertencem a liga do mal não respeitam nenhuma das caraterísticas acima mencionadas.

Tendo esta divisão de má fé, demonstra que o método de negociação do PAIGC é derrubar sistematicamente as pessoas que pertencem a liga do mal e proibi-los de afirmarem as suas “alegadas más posições” que nos olhos da maioria não correspondem com às normativas da democracia.

Neste contexto, a estratégia cujo a maioria está a usar para resolver o conflito da ANP não é uma solução viável, porque estamos perante um cenário de competição onde ambas as partes estão a usar todos os mecanismos necessários para ganhar a disputa. Tudo isto só extrema as posições, as atitudes e as contradições dos autores e o conflito vai se tornando cada vez mais complexo.

Em outras palavras, está simplificação do conflito feita pelo o PAIGC, exclui fatores importantes que também influenciaram a escalação do conflito.

É importante relembrar que cada autor envolvido no conflito faz a sua própria leitura dos factos, têm valores e atitudes diferentes, nível académico, identidade e preocupações económicas diferentes; por último seguem religiões diferentes.

Tendo esta diferença no seio do cenário político, cada autor (PAIGC ou MADEM etc.) tem a sua própria compreensão ou leitura sobre o que realmente é o problema e o que se deve fazer para resolvê-lo.

Resumidamente, todos os elementos acima mencionados entram em ação a medida em que os partidos políticos tentam abordar o atual conflito que gira a volta da fórmula que se deve usar para se fazer uma distribuição proporcional dos votos.

Entretanto, existem várias fórmulas entre o método D'Hondt ou o método Webster/Sainte-Laguë etc; que se pode usar para chegar ao consenso. Daí o PAIGC precisar de engajar num diálogo transparente que focará nas necessidades (questões de representatividade parlamentar) dos partidos políticos e não nas posições (nomear um primeiro ministro sem decreto presidencial) relacionadas ao conflito.

Aristides Mandinga, Student of International Relations and Peace Studies


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