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  • Aristides Mandinga

A Intolerância na Democracia Guineense


A intolerância que abala o país ameaça à estabilidade política e encoraja a divisão social.

Precisámos de refletir a nossa democracia para percebermos melhor a nossa capacidade em tolerar propostas ou ideias cujo as quais não correspondem com os valores ou princípios  que seguimos. 

A tolerância significa uma atitude que consiste em deixar aos outros a liberdade de exprimirem opiniões divergentes e de atuarem em conformidade com as tais opiniões. O termo deriva do latim “tolerare” que significa aceitar ou suportar.

Este artigo afirma que o conceito da tolerância não resolverá o conflito guineense, mas ajudará na sua de-escalação.

Discussão

O Presidente Vaz reafirmou no dia 02/6/2019 que só nomeará um novo Primeiro Ministro uma vez que a disputa no parlamento for resolvida.

Verifica-se que os partidos políticos que hoje constituem a maioria parlamentar, querem estabelecer o conceito “winner take all”; mas gostaria de salientar que a tal visão governativa não é saudável para a estabilidade do país.

Entretanto, a maioria precisa de compreender que um partido político que se considera tolerante, normalmente, aceita opiniões ou comportamentos diferentes daqueles estabelecidos pelo seu meio político.

A infeliz declaração do líder do PAIGC “este é o nosso último ensaio, a nossa última chamada de atenção, última exigência pacífica que fazemos não só ao povo guineense, mas também à comunidade internacional” demonstra que os partidos da maioria estão a usar ameaças e ultimatos como ferramentas para a resolução do nosso conflito. Em consequência disso, o diálogo transforma-se em uma ferramenta contraproducente nos olhos da maioria.

Eventualmente, esta estratégia só influencia a escalação do conflito e tendo em consideração a temperatura política presente no país, a atitude e o comportamento dos protagonistas envolvidos no conflito, transformará o impasse em violências diretas ou estruturais; um termo introduzido pelo professor Johan Galtung.

O MADEM G15 e o PRS fazem muitíssimo bem em manter as suas posições em relação ao (1 secretário da ANP) que pertence ao PRS e a aprovação do Líder da oposição Braima Camara como (2 vice-presidente da mesa da ANP).

Devido a falta de diálogo entre o PAIGC e a oposição o atual conflito vai se escalando. É necessário encorajar o PAIGC a voltar a mesa de negociações para salvaguardar a X legislatura. É imperativo priorizar o interesse nacional e pôr de lado os interesses partidários.

O líder do PAIGC argumenta que tendo uma maioria parlamentar, é incompreensível insistir em estabelecer consensos com a oposição.

Em contrapartida, convém relembrar que a eleição não resolveu o conflito da IX legislatura.  O impasse atual acerca da Assembleia Nacional Popular só renovou a crise política que afeta o país a mais de duas décadas. Os únicos fatores que mudaram são: os atores, os comportamentos e os contextos que ramificam o conflito.

Na última manifestação o líder do PAIGC também argumentou se o segundo partido mais votado nas eleições legislativas insistir em propor o nome do seu líder 1000 vezes, o PAIGC irá votar 1001 vezes contra o líder da oposição.

Todavia, esta tentativa dos libertadores em tentar silenciar, excluir e negar a representatividade parlamentar aos partidos da oposição, prejudicará o pais e a segurança humana. 

É importante percebermos que conflitos fazem parte da natureza humana. Por exemplo: uma das funções das organizações internacionais não é trabalhar com intenção de erradicar conflitos. A intenção é criar condições e plataformas em que os conflitos possam decorrer pacificamente na base da tolerância, do diálogo e do consenso.

Conclusão

A intolerância e a incapacidade do PAIGC em respeitar os direitos da oposição, impacta gravemente a sociedade guineense. Enfim, uma grande parte das nossas instituições socioeconómicas estão todos de coma.

No meu país o que não falta é a intolerância e o ódio. Daí insistir na necessidade de resgatarmos os valores e princípios que nos une como guineenses. Precisamos de reconsiderar as nossas ideologias, atitudes e princípios para juntos plantarmos as sementes da paz e do desenvolvimento que o país tanto almeja.

Aristides Mandinga Student of International Relations and Peace Studies, UK. 


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