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O ativista político, uma história entre o serviço social e a suspeita de corrupção


Que medidas e ações os grupos políticos ou partidos implementam para a formação dos seus militantes? Qual é o processo que os jovens percorrem ao incorporar a doutrina de um partido (valores e histórias do espaço) e seus próprios modos de ser e militar? Como as forças políticas de hoje articulam seus militantes?


Poderíamos nos fazer tantas perguntas sobre este assunto ...


Se formos para uma definição mais de “enciclopédia”, a militância política é a filiação e o compromisso de um indivíduo com uma determinada ideologia ou grupo político, o que o motiva a participar de eventos onde ele tem espaço.


O mais comum é que uma pessoa se diga "militante" de uma organização x, por defender interesses ou valores que essa pessoa compartilha e considera importantes, como cuidar do meio ambiente, proteger os animais ou ampliar os direitos das mulheres. Como algo que parece “inofensivo” já que todos temos o direito (e até mesmo a obrigação moral) de defender e agir pelo bem comum, acaba se envolvendo em casos de corrupção política ou de más acções. Por muitos anos se acreditou que a figura do militante era exclusividade dos partidos de esquerda, mas hoje, a verdade é que todos os partidos políticos querem ter em suas fileiras pessoas dispostas a defender suas propostas, principalmente e de forma visível nas ruas.


A política é você

Basta prestar atenção aos adjetivos qualificativos usados ​​por analistas políticos ou jornalistas para entender que o militante de hoje tem má imprensa. Frequentemente, são considerados preguiçosos, querendo entrar na política mais rápido do que os outros, fazendo o que fazem só por dinheiro.


Historicamente, a corrupção política tem sido objeto de reprovação moral em todas as sociedades, os testemunhos de diferentes culturas o comprovam. A “crise de representatividade” existe em muitos países do mundo, devido a grandes escândalos de corrupção. A desconfiança na atividade política, em suas instituições e nas pessoas envolvidas está na ordem do dia. E é aí que a figura do militante também fica "presa".


Durante as campanhas eleitorais, o trabalho militante consiste em diferentes atividades realizadas nas bases do partido local ou na rua. O militante se envolve em diferentes espaços de participação, assumindo diferentes compromissos, principalmente aqueles que o candidato não pode ou não chega a fazer. Em alguns países a ideia de “um militante, um voto” é mantida, o que os torna uma espécie de instrumento de troca. Em muitas outras partes do mapa são considerados "uma seita de fanáticos e corruptos" pelo simples fato de estarem sempre quando o partido precisa deles. Será que o poder corrompe até os melhores? A verdade é que hoje a política não alimenta compreensão mútua e transparência, mas sim ódio e dissimulação entre cidadãos que poderiam conviver e cooperar pacificamente.

Aristides Mandinga