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Para o DSP é um Bom Negócio ser um Mau Perdedor


Esta mania de recusar em reconhecer a vontade popular expressa nas urnas não é um comportamento exclusivamente limitado ao líder do PAIGC, mas também foi utilizado pelo Atiku Abubakar na Nigéria, Yahya Jammeh na Gâmbia, entre outros candidatos derrotados. Este teste por alguns candidatos da veracidade dos processos eleitorais tem consequências visíveis não só no espírito social, mas também na estabilidade política dos governos e na sua união.


Um dos casos mais recentes e obviamente mais difundidos na média pelo peso do país em questão é o de Donald Trump e o seu não reconhecimento da derrota presidencial. Há pouco tempo, o atual presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, declarou: “É uma posição tão extrema, que nunca havíamos visto. Uma posição que se recusou a respeitar a vontade do povo, a respeitar o Estado de Direito e a honrar a nossa Constituição”. Toda essa afirmação foi dada como parte de uma longa resposta a uma ação movida pelo Partido Republicano, liderado por Donald Trump, que tentou refutar a vitória do candidato democrata.


Na Guiné Bissau, o DSP fez acusações de fraudes em massa sem provas concretas, visando apenas contestar a vitória do candidato do MADEM G15. Após o desfecho judicial, o PR- USE foi reconhecido nacional e internacionalmente como o legítimo presidente da república da Guiné Bissau. Só um mau perdedor como o atual líder do PAIGC para continuar a não reconhecer o PR alegando uma nova investidura legal que respeite os princípios legais e democráticos.


Quando um candidato não reconhece a perda e passa a procurar uma agulha no palheiro, cria-se a desconfiança nas instituições, o que não contribui em nada para o bem-estar social. Semear desconfiança no sistema e especular hipóteses de fraude só nos permite ver o desespero do perdedor. Não esqueça que tem aqueles que para continuar a governar são capazes de fazer qualquer coisa, para permanecer no poder. A conferência de imprensa dos fundadores do PRS expõe o complô político e aparentemente militar conduzido pelo mau perdedor- DSP com objetivo de subverter a ordem constitucional ou alterar gravemente a paz pública. Gostaria de pedir ao presidente do PRS que nesta altura do campeonato, deveríamos agir em conjunto e evitar quaisquer atitudes que possam pôr em causa a unidade parlamentar.

Alguns especialistas pensam que é preciso compreender que o objetivo de não admitir uma derrota, nada mais é do que ganhar de outro jeito o que não foi ganho nas urnas. Num regime democrático, um mau perdedor pode levar o país ao descrédito internacional e, em casos extremos, pode precipitar até um surto social. E é neste contexto que digo que, para o DSP é um bom negócio ser um mau perdedor. Ele tem muito a perder em termos políticos, sociais e económicos se reconhecer o PR.

Do que estou a falar quando digo "síndrome do mau perdedor"?

Em qualquer situação de jogo ou competição, sempre haverá quem saiba jogar limpo, dentro das regras e aceitando não só as consequências e também o momento de recuar. Mas também há aqueles que não entendem muito bem como funciona essa dinâmica e tentam enganar os outros, mas trapaceando. Basicamente, é como dizer que os donos do jogo querem levar "a bola" quando não conseguem colocar o resultado a seu favor. A verdade é que ninguém gosta de perder, pois não tem nada como a grande satisfação que se sente com a conquista obtida. No nível político e nos processos eleitorais, é preciso maturidade para reconhecer as derrotas e também para administrar a vitória.


Se olharmos de um ponto de vista bastante geral, poderíamos definir o perfil dos “maus perdedores” do PAIGC mais ou menos assim:


1. Não conseguem esconder o ódio e a raiva que têm do atual regime;

2. Quando as coisas não saem como o PAIGC espera, ficam repletos de argumentos infundados. Convém lhes relembrar de que “A democracia é um exercício para construir um País, não para o fraturar e descredibilizar perante o Povo e perante a Comunidade Internacional”;


3. Acusam os outros de trapacear e de serem falsos, se não tiverem sucesso;

4. São incapazes de aplaudir o triunfo e a vitória dos outros;


5. Estão cientes das realizações de outros, só para superá-los ou para buscar a oportunidade pública de obscurecê-los;


6. Abandono parlamentar. Preferem desistir quando não lhes convém, ao invés de se esforçarem para consegui-lo, já que a vergonha de um possível fracasso é muito maior;


7. Orgulham o tempo todo de serem os vencedores, os detentores da verdade mostrando um perfil de campeões;


Como pode se ver, um mau perdedor pode sofrer mais do que o normal diante de uma derrota, mas o que não pode ser ignorado são as consequências das suas ações na comunidade em que atua e na construção da democracia.

Aristides Mandinga