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Não Bruce Guilley. A Guiné Bissau não vai ser recolonizada

July 9, 2018

"Where Slavery is there Liberty cannot be; and where Liberty is there Slavery cannot be." 

Charles Sumner

 

Introdução

 

Meus caros leitores, “The case for Colonialism” é o título do artigo mais contestado em 2017 e foi escrito pelo o Bruce Guilley; um especialista de comparação política da China e a Ásia. Também é professor de ciências políticas na Universidade de Portland e defende a legitimidade política, diversidade e a liberdade acadêmica.

 

Segundo o repertório que se encontra no jornal da “Third World Quarterly”, Guilley afirmava que houve benefícios históricos em relação ao colonialismo ocidental. O artigo considera que o colonialismo ocidental foi benéfico e subjetivamente legítimo na maioria dos lugares onde existia. A tese oferecia soluções em matérias sobre o desenvolvimento econômico e a erradicação da pobreza na “Global South” e  analisou os modos de governação colonial. No meu intender esta tese incita a recolonização de alguns países na “Global South” o que resultaria na criação de uma nova estrutura colonial. O professor alegou que a Guine Bissau devia ser recolonizada. Embora, acho que o professor não tem é a noção da opressão que o meu povo viveu.

 

O documento acima foi o exemplo que o professor usou sobre a G.Bissau. Página-11.

 

Discussão

 

Vários acadêmicos acusaram o professor de tentar alterar a história com fins de negar o holocausto que aconteceu na África. Para os que apontam a violação da liberdade de expressão do professor; aconselho-vos a não misturarem o conteúdo do debate. As questões sobre a liberdade de expressão devem ser analisadas aparte. Deste modo, pergunto: será que pode-se dizer que a Guine Bissau beneficiou-se do colonialismo português? 

 

A razão pela qual estou a questionar é porque o Prof. Guilley argumentou na “Third World Quaterly” um jornal académico, que as colónias beneficiaram-se do colonialismo e que os historiadores tendem ser politicamente corretos, para não admitirem que as colónias também beneficiáram-se do legado colonial. 

 

Não concordo com o argumento apresentado porque, “If we balance the books ” pode-se concluir que as consequências do colonialismo, criou graves problemas políticos, económicos e psicológicos nas colónias. Em termos psicológicos, não sei se já ouviram falar de “Post traumatic slave syndrome” - é uma teoria que explica a etiologia dos comportamentos de sobrevivência que existem nas comunidades afro-americanas nos Estados Unidos e na diáspora. É uma condição que existe como consequência de séculos de escravidão, opressão multigeracional de africanos e seus descendentes. Por exemplo: o colonialismo que foi implementado na Guiné-Bissau, baseava-se no contexto em que os Guineenses eram inerentemente / geneticamente inferiores aos portugueses e isto foi seguido pelo racismo institucional, systematic racism que continua até hoje a perseguir os guineenses em Portugal ou na diáspora. 

 

Eu acredito que o professor interpretou mal as evidências porque, o colonialismo foi um puro crime à humanidade. O Congo por exemplo que viveu uma das piores formas do colonialismo beneficiou-se em que? Na língua? É incompreensível a posição que o jornal académico decidiu tomar em permitir a partilha de um artigo racista e sem fundamento. Tudo isto fez me questionar o nível de ética que o departamento na altura tinha.

 

"Where Slavery is there Liberty cannot be; and where Liberty is there Slavery cannot be."

Charles Sumner

 

O colonialismo na Guine Bissau

 

Fortim de Cacheu

 

O Reduto de Cacheu, localiza-se junto à foz do rio Cacheu, na cidade de Cacheu, no Norte do país. Foi a antiga capital da colónia portuguesa, fundada em 1588, e serviu para o comércio de escravos, tendo sido criada para o efeito, em 1675, a Companhia de Cacheu, Rios e Comércio da Guiné. Na região de Cacheu foram criados vários estabelecimentos portugueses ao longo do século XVI. A zona esteve dependente de Cabo Verde até à criação da província da Guiné Portuguesa, em 1879.

                                                                        

 

 

         Cacheu ( Google Images) 

 

 

 

Fonte: Revista História Viva ano VI, edição 66.

 

Os guineenses foram, humilhados, torturados e explorados por uma camada social considerada superior na altura, por ser branca: assim foram vários Guineenses a escravatura no Brasil, um período de crueldade que durou séculos.

 

As colonias não beneficiaram do colonialismo

 

A conquista militar facilitou o imperio portugueses a fortificar a sua presença e o controlo na Guiné.  O objetivo principal era estabelecer uma administração forte e com um sistema legal que funcionasse em todo o pais. É necessário relembrar ao professor Guilley, que a intenção principal, do império português na altura era manter um controlo rigoroso na Guiné, usando a violência direta (chicotadas, espancamentos) como uma arma para permitir a exploração das matérias primas e dos recursos humanos.

 

Guerra colonial na Guiné Bissau- Tropas Portugueses ( Google Images).

 

As atividades de proteção do estado significava o uso de violência diretas para manter a ordem pública e a tranquilidade. Em 1960 o regime implementado na Guiné, foram idênticas as do apartheid em que a maioria dos guineenses eram obrigados a ter uma caderneta de indígena. As pessoas que viviam nas zonas rurais tinham de comprar a caderneta que incluía informações pessoais tais como: dados sobre a família da pessoa, saúde, emprego e registros fiscais, licenças de circulação entre outros requisitos. 

 

No entanto, no final do período colonial, os portugueses construíram uma escola com algumas estradas pavimentadas, geradores de eletricidade e instalações sanitárias. Neste contexto, quando saíram da Guine em “1975” deixaram o país com uma base económica desajustada e na altura tinhamos a maior taxa de analfabetos em comparação com os países que hoje constituem a PALOP.

 

É importante reafirmar que, as duras realidades da missão civilizadora significava, em particular, o uso sistemático do trabalho forçado, e a punição corporal. O regime colonial português foi um sistema baseado na extrema violação dos direitos humanos. Por exemplo a massacre de "Pindjikiti" onde dezenas de trabalhadores guineenses foram assassinados por terem pedido a justiça salarial. A revolta liderada por Amílcar Cabral  e com ajuda de outros “freedom fighters” a Guiné se libertou da opressão,discriminação e a violência que vivemos durante séculos.

 

Para concluir, o nosso desenvolvimento, a nossa identidade, cultura foi hijacked e destruida. Neste contexto pergunto: e se a Guine-Bissau não fosse colonizada? Como é que estaríamos hoje?  

 

Será que estaríamos no nível do Japão, um país que legitimamente nunca foi colonizado e agora possui o terceiro maior PIB do planeta, ou da Turquia, que até recentemente é visto como um dos países mais bem-sucedidos no mundo árabe.

 

 

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