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Black is Beautiful. O clareamento das mulheres muçulmanas na Guine Bissau.

September 5, 2018

Chegou a hora de debatermos a questão do clareamento da pele negra, uma prática que na Guiné chamamos - “Yassali”. É de conhecimento geral, que não existem estatísticas sobre a matéria em questão e não sabemos por concreto o número de cidadãos guineenses que usam esses produtos. Mas também é de conhecimento geral que existe uma percentagem de mulheres muçulmanas que seguem a prática de Yassali no país.

 

Entre a justificação e a realidade: as mulheres muçulmanas que
optam ter um tom de cor mais claro, fazem-lo porque acreditam que aumentará as chances de terem marido. Entretanto as outras mulheres que também usam o produto em questão, argumentam que usam os cremes principalmente para quebrar a barreira da beleza africana.

 

A questão acerca do branqueamento da pele é um problema que abala o continente africano. A pesquisa feita pela OMS (Organização Mundial de Saúde) em 2012, estima-se que em Mali (25%), Nigéria (77%), Senegal, (60%), South Africa, (35%) e Togo, (59%) de mulheres usam o produto regularmente. No outro lado da moeda o problema também afeta os homens, embora o número seja pequeno.

 

A produção e o acesso em Senegal

Um número significativo de mulheres senegalesas  regularmente 
usam produtos para clarear a pele. Os produtos, que os comerciantes alegam ter componentes "naturais", na sua maioria contem alto nível de mercúrio. Algumas mulheres na capital, Dakar, dizem que os riscos são simplesmente o preço da beleza.

 

A maioria das lojas de produtos de beleza em Dakar, fornecem uma seleção de cremes e sabonetes que usam para tornarem-se menos negras. Enfim existe um número elevado de produção e o livre acesso ao produto.

 

Uso e o acesso na Guiné Bissau


Normalmente, o creme é aplicado no corpo inteiro como qualquer outro creme de pele. Ainda me lembro ver mulheres que clareavam a cara e as mãos, por não terem  dinheiro suficiente para comprar o creme  e usar no corpo inteiro.


A Guiné Bissau ainda não tem uma lei que proíba a venda e o uso do produto em questão. Embora exista um número elevado de pessoas a usarem o creme. No nosso país a questão é complexa, porque a maioria das mulheres que destroem as suas melaninas, não devem saber dos problemas que o creme pode causar.

Pode-se confirmar que a  percentagem das mulheres muçulmanas guineenses, nesta matéria, estão a copiar as mulheres da sub-região e cada dia que passa a utilidade e o acesso ao creme vai aumentando no país.

Portanto na luta para se tornarem um pouco menos negras, e com intenções de sobressairem-se na hierarquia social ou a intenção de arranjar marido; só demonstra que estas mulheres têm uma  fraca autoestima. 

 

A situação é preocupante, porque destroem a melanina- o pigmento escuro que se encontra na nossa pele e uma das suas funções é proteger a pele quando é exposta ao sol. Tudo indica que esssas mulheres podem contrair doenças de pele desde queimaduras, estrias, acne, alergias e ate câncer de pele.

 

Levando em consideração os factos, tenho 3 pontos para concluir o artigo.

  • Um dos problemas que chocou-me é a auto-rejeção da pele negra.

  • Nós homens, temos de acabar com o raciocínio de que uma mulher de pele clara, é mais bonita do que a mulher negra. Este standard de beleza que existe na nossa sociedade leva muitas mulheres a usaram o creme.

  • Banir os produtos de “Skin bleaching” ou a pratica de Yassali no país. Criar uma comissão, capaz de investigar a situação no nosso mercado, principalmente nas lojas de beleza. Bloquear a entrada do creme que vem do Senegal, da Guiné Conacri ou da Nigéria.

Nao estou a escrever este artigo para denegrir a imagem das mulheres muçulmanas guineenses. Neste contexto o artigo tenta alertar a minha comunidade do problema que existe no país. Caso contrário, poderemos vir a sobrecarregar ainda mais o hospital nacional. 

 

 

Black is Beautiful 

 

 

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