A Consciência Social

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O Presidente José Mário Vaz terminou ontem o seu mandato, mas continua a executar o cargo com competências limitadas, até que seja feita a transferência do poder.  As eleições presidenciais serão realizadas em novembro de 2019.

 

Entretanto, vários deputados da nação e alguns ativistas guineenses, citam que existe tudo menos (-) a paz na Guiné-Bissau.

 

Ontem o Presidente afirmou que “Passados cinco anos, a nossa Guiné-Bissau é um país de Paz e da Liberdade. As imagens do passado transmitiam conflitos, assassinatos, violência, terror e comoviam o mundo. Muitas vidas foram perdidas por divergências políticas.”

 

Será que à ausência da guerra significa a paz? Este artigo argumenta que o Presidente José Mário Vaz tem toda a razão em afirmar que existe um ambiente de paz na Guiné Bissau.

 

O artigo está devido em três patamares: A ramificação da violência; O significado da Paz Positiva e a Paz Negativa; Em conclusão, o caso da Guiné-Bissau. 

 

Revisão da literatura 

 

No campo académico (Estudos de Paz e Conflitos) dividimos a violência em três categorias:

 

A Violência Direta- é caracterizada por qualquer ato que tenha como objetivo principal causar danos físicos a alguém. Por exemplo: assassinatos, violências sexuais, torturas etc. Neste contexto, a violência direta  manifesta-se através do comportamento humano e sempre haverá um ator a ser responsabilizado pela ação.

 

Em contrapartida, a Violência Estrutural são caraterizadas por violências em que os atores não são identificados ou responsabilizados. Só para exemplificar, em 2018 houve falta de reservas de sangue no hospital principal da Guiné-Bissau ou o disfuncionamento do nosso sistema escolar.

 

Os exemplos que referi indicam a manifestação da violência estrutural. 

 

Também pode-se afirmar, que a violência estrutural incentiva uma má distribuição de recursos económicos, aprofunda a pobreza, aumenta a fome e sequestra o desenvolvimento.

 

A Violência Cultural deriva da violência direta e estrutural e manifesta-se através do racismo, sexismo etc.

 

A Paz Positiva e a Paz Negativa

 

Galtung referenciou 2 tipos de paz: A Paz Positiva é uma sociedade que vive em ambiente de paz e harmonia. É a ausência da violência em todas as suas formas.

 

Em contrapartida, a Paz Negativa é caraterizada pela ausência da guerra, prevalecendo as violências estruturais ou diretas no seio da sociedade. Em outras palavras, é uma nação onde as pessoas não têm muita liberdade de expressão ou vivem sob regimes autoritários/ totalitários que obriga a todos a conformarem-se em prol da "paz".

 

 

O caso da Guine-Bissau

 

O documento da Global Peace índex 2019, aponta que na África Subsaariana a Guine- Bissau continua no mesmo “rank” que ocupou em 2018. Nesse sentido, entre os 44 países da África Subsaariana a Guiné-Bissau ocupa o rank número 27, ultrapassando a Quénia , a República do Congo, Mauritânia, Nigéria, África do Sul etc.

 

Em termos da Paz Global, a Guiné-Bissau melhorou o seu posicionamento em comparação com os dados de 2018 onde ocupávamos o “rank” 116. Nesse sentido, entre os 163 países que participaram na Global Peace index 2019, a Guine Bissau ocupa o “rank” número 112.

 

Conclui-se que vivemos uma Paz Negativa, graças a ausência da guerra e graças a redução das violências diretas durante o mandato do Presidente Mario Vaz. Também conseguimos semear “politics of peace”.

 

Entre 2014 a 2019 o povo guineense conseguiu demonstrar que na realidade somos um povo pacifico.

 

Será que podemos falar da paz, tendo os hospitais em paralisação?

 

É claro que sim, pode-se argumentar que a paralisação dos hospitais, das escolas etc., são resultados das violências estruturais. 

 

Está na hora de abraçarmos a paz positiva para que seja possível viver num ambiente seguro, sem ameaças ou violências, tanto na lei quanto na prática.

 

Todos devem ser tratados igualmente perante a lei, num sistema de justiça independente e imparcial; e com leis que protegem a segurança humana.  Para alcançar a paz positiva é importante ultrapassarmos as barreiras da paz negativa e construirmos consensos entre os guineenses, criar uma cultura de diálogo, erradicar todas as formas de violência e só assim poderemos alcançar a paz positiva.

 

 

Aristides Mandinga, Student of International Relations and Peace Studies

 

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